Eu
sou tão arisca que tenho medo de qualquer coisa que se mexa, inclusive -
e principalmente - um coração que bata próximo ao meu. Sempre fui assim
meio bicho do mato, quase que selvagem, sabe? Mas nesses raros momentos
em que isso se comprova, levo o susto de saber que realmente se é. E
quero gritar, fugir, correr, ficar e aceitar tudo ao mesmo tempo. Sabe
quando a gente quer muito uma coisa, e quando está a um centímetro de
alcançá-la dá vontade de largar tudo e sumir? É um medo tão íntimo,
quase que um medo de ser feliz. Mas a gente não devia ter medo de ser
feliz, não mesmo. Medo de arriscar, de se jogar, de deixar fluir e viver
o agora. Sua mão está estendida aqui e agora, e eu que esperei tanto
não sei se serei capaz de segurá-la. Não consigo definir esse bicho de
sete cabeças que se esconde em tudo o que seja próximo de um estado
pleno de felicidade, esse frio na barriga que deixa a gente com medo.
Normalmente, em tudo, eu diria SIM, quero, vou entrar nessa e me jogar, e
achei que agora também diria sim. A pergunta foi feita e estou
paralisada diante de tudo querendo sumir para não responder, recebendo
uma descarga de adrenalina como se fosse o fim do mundo chegando. Pra
dizer bem a verdade, é longe, muito longe do fim do mundo - e pode até
ser o começo de tudo. O coração tá batendo, não pára, e tudo pulsa em
pegar ou largar. Pegar ou largar? Fugir ou ficar?
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